Nesta terça-feira (30) Alexandre Nicolini ministrou o minicurso online “Enade Performance 2026 – Gestão e auditoria da aprendizagem: diagnósticos e prognósticos” ao vivo pela plataforma Zoom.
Durante sua apresentação Nicolini fez um breve histórico dos 30 anos de avaliação do ensino superior no Brasil desde o Provão até o Enade e mostrou, em números, as deficiências na formação dos alunos nos cursos de Medicina e de Licenciaturas.
Segundo Nicolini, “1 em cada 3 estudantes de Medicina formados hoje não vão poder exercer a Medicina a partir de 2031 porque não atingiram o nível de proeficiência exigido”. E esse baixo desempenho nos cursos de Medicina, para Nicolini, “tem um custo da ineficiência de 9 bilhões, 280 milhões e 170 mil reais que as IES estão jogando no lixo”.
Nicolini também chamou atenção dos professores presentes no minicurso com vários números do baixo desempenho nos resultados da Prova Nacional Docente. “O Enade Licenciaturas 2025 avaliou 4.948 cursos em todo o Brasil, com 196.059 concluintes participantes. Desses, 113.246, ou seja, 57,7% foram classificados acima do nível básico de proeficiência, o que significa que 42,3% dos futuros professores do país não atingiram esse patamar mínimo. Apenas 569 cursos (11,5%) alcançaram 100% de seus concluintes acima do nível básico”.
E questionou: “como vamos evoluir se não temos bons professores?”. Para o especialista, “quase metade dos futuros professores formados em 2025 não demonstrou proficiência adequada na avaliação nacional, um sinal de alerta para a qualidade da educação básica brasileira nos próximos anos”.
Cursos EaD e presencial
Nicolini também alertou os docentes presentes sobre o abismo da formação docente nos cursos presenciais e EaD. “A diferença é brutal: enquanto 3 em cada 4 alunos presenciais estão acima do básico, menos de 1 em cada 2 alunos de EaD alcançam esse patamar. Uma diferença de 27 pontos percentuais”.
E foi mais além ao apontar as cinco áreas que apresentaram as maiores diferenças negativas entre EaD e presencial. “Em Educação Física a diferença de 33,6 pontos percentuais entre EaD e presencial é a maior registrada entre todas as áreas avaliadas, uma modalidade que depende intrinsicamente de prática presencial. As outras quatro foram: Artes Visuais (29,5), Pedagogia (29,3), História (28,6) e Letras Português-Inglês (27,8)”.
Nicolini apontou também um caso crítico: Letras Português-Inglês na modalidade EaD com o pior percentual absoluto entre todas as áreas avaliadas. “Apenas 33,1% dos concluintes estão acima do nível básico. Isso significa que dois terços dos futuros professores de línguas, formados a distância, não demonstram proficiência adequada”.
E finalizou mostrando a Pedagogia, com maior volume e pior performance. “Pedagogia é o curso com o maior número absoluto de concluintes (100.680, entre EaD e presencial) e também o epicentro das tensões na qualidade formativa. O EaD fica com 34,8 pontos percentuais acima do básico e o presencial com 18,1, o que demonstra que o EaD precisa melhorar e muito”, concluiu Nicolini.


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