O pesquisador e consultor em gestão acadêmica e avaliação da aprendizagem no ensino superior, Alexandre Nicolini, comentou nesta segunda-feira (19) a iminência da divulgação dos (maus) resultados do Enamed 2025 que aconteceu nesta segunda-feira, às 9h30, em Brasília e a ação civil que pediu à Justiça, na última quinta-feira (15), a suspensão dos dados públicos que avaliam a aprendizagem dos futuros médicos do Brasil e da aplicação das sanções decorrentes às IES com desempenho insatisfatório. O provimento foi indeferido por um juiz federal.
Segundo Nicolini “quando as IES entram no modo desespero, parece óbvio que as expectativas sobre os resultados dos seus formandos já eram bastante conhecidas – e o mercado se recusa a ser mal avaliado. Entretanto, o mercado também não reconhece que o Brasil tem prejuízos com a falta de qualidade, e só se abala quando a falta de resultados em sala de aula ameaça os resultados do balanço financeiro”.
Para o especialista as IES têm que aprender que valor decorre de reputação. “Fica todo mundo cortando custos do processo formativo e depois os gestores se chateiam quando a avaliação é ruim. Ou seja, quando os maus resultados estavam escondidos na cortina de fumaça que era a Curva de Gauss do Enade, ninguém reclamava. Quando a estratégia foi comprometida pelo aprimoramento da política pública, recorre-se ao habeas corpus protelatório”.
No entanto, para Nicolini, as sanções esperadas são severas e todos os que não atingiram 60% de estudantes proficientes não poderão aumentar vagas, assinar contratos do Fies ou participar no Prouni. Prevê-se ainda que haverá redução de vagas para os cursos que tiraram conceito 2 e mesmo suspensão do ingresso de novos estudantes para os que receberem conceito 1. Entretanto, tudo isso sempre esteve previsto. Só não era aplicado por falta de arcabouço jurídico robusto.
Segundo Nicolini, “no final das contas, chorar as pitangas é para quem não se preparou quando já sabia que os resultados eram péssimos. Todos os meus clientes regulares vão ter melhorias expressivas nos seus conceitos no Enade, e olha que o nível de exigência subiu muito”, finaliza.


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