Alexandre Nicolini concedeu entrevista ao programa Primeiras Notícias, da Radio Clube News, de Teresina (PI), na qual explicou para o jornalista Francisco Lima as diferenças de metodologia adotadas pelo Enamed para avaliação dos cursos de Medicina, em relação às que eram utilizadas pelo Enade para avaliação dos demais cursos do ensino superior.
“O que acontece é que o ensino superior é avaliado há mais de 25 anos e a metodologia do cálculo anterior era uma metodologia comparativa do desempenho das várias instituições no país. Então você atribuía conceitos de 1, que é muito ruim, a 5, que é muito bom, e esses conceitos eram atribuídos não com base no desempenho das instituições, mas se as IES estavam melhores umas do que as outras. Por essa razão, durante muito tempo, nessas avaliações ficou escondido o baixo desempenho das escolas, não só em Medicina, mas em todos os cursos no país”, disse Nicolini.
Segundo Alexandre Nicolini, “no Enamed, cuja primeira edição foi em 2025, a metodologia foi mudada. Agora uma IES não se compara com outras instituições, mas com ela mesma. Você estabelece um ponto de corte dizendo a partir de um determinado número de acertos em que o estudante é considerado proficiente, ou seja, se tem condições de exercer a atividade profissionalmente, e muitas instituições no país não conseguiram atingir esse ponto de corte. Ou seja, 30% das instituições que ensinam Medicina no país não conseguiram fazer 60% dos seus estudantes proficientes, ou seja, preparados para o mercado de trabalho”, acrescentou.
Para o pesquisador e consultor, “é um índice que assusta bastante, porque nós estamos falando de 13 mil estudantes. Então, para se ter uma ideia, nas últimas três edições do Enade, que é anterior ao Enamed, nós já tínhamos mapeado mais de 50 mil estudantes formados sem o devido nível que se espera de um médico. E agora, em um primeiro exame do Enamed, são 13 mil, ou seja, o ensino de Medicina no país, de uma forma geral, está piorando”.
Nicolini explicou que o que contribuiu para essa situação “é uma cesta de problemas”. Ele explica que “o que temos de imaginar é que geralmente, no ensino superior, nenhum professor foi formado para ser professor. Os professores são médicos que dão aula, advogados, engenheiros, mas eles não tiveram uma formação pedagógica para fazerem o que fazem. Então já na partida o que nós temos é uma dificuldade no processo de ensino aprendizagem. Os estudantes – porque sabemos que temos problemas históricos na educação básica – não chegam bem preparados na faculdade e encontram o professor que não é proficiente. E se o professor não está preparado para ser professor, temos mais dificuldade em preparar o estudante para ser um bom profissional”, diz.
Outro ponto levantado por Nicolini é “que precisamos de massa crítica em gestão da aprendizagem e em estruturação de projetos pedagógicos. Nós temos um histórico que não nos favorece. Ou seja, se perguntarmos para um professor ou gestor acadêmico, por exemplo, a diferença entre pedagogia, educação e didática, que é uma coisa básica para entendermos um projeto de ensino, a maioria não vai saber dar uma resposta adequada. O que nós precisamos hoje é de um Programa Nacional de Formação de Gestores e Professores para o ensino superior. Porque sem massa crítica vamos ter muita dificuldade de avançar”, finalizou.
Assista a entrevista completa aqui.


Add a Comment