“Como é meu costume desde 2017, realizando oficinas para enadistas e coordenadores de curso em diversas instituições de ensino superior por todo o Brasil, percorri quase 10 mil quilômetros nesta abertura do semestre letivo de 2026”, conta Alexandre Nicolini. O especialista em gestão acadêmica e avaliação da aprendizagem veio de Portugal para uma série de capacitações, realizadas em janeiro e fevereiro em IES dos Estados de Tocantins, Goiás, São Paulo e Minas Gerais, totalizando um percurso de 9.441 quilômetros.
A maratona teve início no Centro Universitário UNITOP, de Palmas (TO); prosseguiu na Faculdade Morgana Potrich (FAMP), em Mineiros (GO); na Fundação Armando Alvares Penteado, na Capital de São Paulo (SP); na Fundação Hermínio Ometto (FHO), em Araras (SP); na Uniube, em Uberaba (MG); no Centro Universitário UNIFACIG, em Manhuaçu (MG); na UNIFEOB, em São João da Boa Vista (SP); na Unipinhal, em Espírito Santo do Pinhal (SP); e na Uniatenas, em Paracatu (MG).
“O Enade começa na formação do professor”, diz Nicolini, referindo-se a um tema recorrente nas suas apresentações. “Na minha experiência como pesquisador e consultor de instituições de ensino superior, o resultado de cada curso no Enade está diretamente ligado à forma como preparamos quem ensina os estudantes e a forma como o docente os avalia”, ele afirma.
No Brasil, segundo Nicolini, “os professores são muito teóricos e muitas vezes a própria proposta de ensino também. No século da formação por competências, o que devemos buscar agora é criar modelos híbridos, que tragam a prática e a evidência do aprendizado, ao mesmo tempo que permitem maior mobilidade do estudante, inclusive internacional”.
Durante suas oficinas Nicolini apresentou os conceitos que embasam a exposição em nível stricto sensu, os formatos possíveis no dia a dia de uma IES, os desafios que se colocam para dirigentes, coordenadores e docentes e situações-problemas contextualizadas para serem resolvidas, além de abordar a questão do erro.
“Nas minhas apresentações, eu mostro como as IES precisam transitar da qualificação para a competência nos seus currículos, e destaco o papel que o erro desempenha na aquisição de competências pelos estudantes”. Segundo Nicolini, “o papel do professor é dar uma devolutiva acolhedora, que não só aponte a falha, mas que mostre o ‘porquê’ do erro e o que deve ser feito para corrigi-lo nas próximas oportunidades. Assim estaremos formando profissionais mais competentes porque, se não corrigirmos em sala de aula, o mercado de trabalho cobrará esse preço mais tarde”.
Ele também ministrou a oficina “Como conceber situações-problema e potencializar a aprendizagem a partir da Taxonomia de Bloom”, na qual destacou que “a situação-problema é uma estratégia para criar cenários profissionais nos quais os saberes da unidade curricular adquirem novos significados. Dessa forma, os estudantes assumem um papel ativo no desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem”.
Além de abordar a Taxonomia de Bloom, Nicolini apresentou também uma proposta de uma nova taxonomia, com base em três pilares fundamentais: conhecimento e compreensão, análise e avaliação, e aplicação e síntese. “Cada um deles possibilita que o estudante desenvolva algumas competências que são fundamentais para um bom aprendizado”, afirmou.
Em sua apresentação “Novo Marco, Novas Diretrizes, Nova Avaliação, Novo Enade. O que não mudou?”, Nicolini compartilhou reflexões sobre como lidar com as novas regras e os velhos problemas que ainda persistem nas IES. “Diante de tantas novidades, o primeiro desafio é encontrar o que não mudou: a necessidade de saber diferenciar qualificação de competência. Enquanto a qualificação é o conjunto de saberes classificados e certificados, a competência é a capacidade de assumir iniciativas e dominar novas situações. Precisamos lembrar que o ato de educar é mais abrangente que ensinar, e que ensinar não significa, necessariamente, que o aluno aprendeu” ressaltou Nicolini.
Ele lembra, também, que “nos últimos anos o sistema de avaliação mudou e se tornou muito mais exigente, mas mesmo diante de novos desafios, a resposta deve ser investir no avanço, para alcançar a um novo patamar de avaliação, cujo objetivo é formar profissionais cada vez mais qualificados”, disse.
Outro tema tratado nas oficinas foi a avaliação da aprendizagem multinível. “O modelo nos permite avalizar o Perfil Profissional Prometido através de avaliações padronizadas, exames simulados e relatórios de desempenho ideais para investigar as fragilidades antes mesmo da formatura, diminuindo a distância entre a aprendizagem desejada, a esperada e a realizada”, afirmou.
Os encontros e oficinas trataram de um ponto não menos importante: a integração da preparação da IES como um todo. “Isso exige formação em todos os níveis: planejamento para coordenadores e NDEs, operacionalização para professores e aceleração de resultados para os estudantes”, finalizou Nicolini.


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