Matéria O Globo

O Globo entrevista Nicolini sobre o debate do Enamed

O jornal O Globo entrevistou Alexandre Nicolini em reportagem publicada nesta terça-feira (20) sobre a divulgação dos resultados do Enamed. A matéria faz um contraponto importante ao assunto, ao abordar o debate sobre a criação de uma “OAB dos médicos”

Em suas declarações ao jornal, Alexandre Nicolini defende dois pontos que considera importantes. O primeiro é que “a metodologia utilizada pelo Inep consegue gerar dados mais precisos do que aqueles gerados pelo Enade, conseguindo detalhar com clareza qual a quantidade de novos médicos que não estão verdadeiramente aptos ao exercício profissional e, por consequência, penalizar também as IES que têm menos sucesso no processo formativo”. O segundo ponto é a possibilidade de criação de uma “OAB dos médicos” conduzida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

“Embora o conselho profissional tenha a responsabilidade de assegurar a qualidade do exercício na sua área, não faz sentido que o órgão construa um segundo exame sem a competência avaliativa do Inep para fazer a mesma coisa. O caminho mais eficiente seria celebrar um convênio técnico com o MEC e aproveitar os dados do Enamed para negar o registro profissional aos não-proficientes – até que provem estar prontos”, afirma Nicolini na reportagem de O Globo.

Nicolini sustenta na matéria que “quem tem a obrigação legal de avaliar a qualidade da formação é o MEC. Se houver uma prova final, o caminho mais sólido seria um convênio técnico com o Inep, que é o órgão que tem competência e estrutura para elaborar esse tipo de exame”, destacando que o próprio perfil da prova reforça a necessidade de mudanças.

Alexandre Nicolini afirma que “o Enamed torna visível um problema estrutural que avaliações anteriores não conseguiam expor com precisão”. Segundo ele, ao abandonar a lógica de comparação relativa usada no Enade, o novo exame passou a medir se os estudantes atingem um padrão mínimo de desempenho, o que ajuda a explicar o aumento no percentual de cursos e alunos abaixo do esperado: “O Enamed mostra algo que o Enade não conseguia mostrar. Antes, a avaliação funcionava como uma corrida: alguém sempre tirava nota alta porque o critério era relativo. Agora, o exame mede se o estudante atingiu um padrão mínimo. Quando você muda a régua, fica evidente o quanto estamos despreparados”, ele diz.

Nicolini chama a atenção para um dado que considera ainda mais preocupante: mesmo entre os cursos que obtiveram conceito 3 ou superior, uma parcela significativa dos alunos não atingiu o nível de proficiência: “Eles passam pelo curso, mas não demonstram domínio suficiente para o exercício profissional. A maioria das questões do Enamed envolve resolução de problemas clínicos; se o estudante não consegue fazer isso na prova, dificilmente vai conseguir fazer na vida real”, afirma.

Segundo Nicolini, “é uma responsabilidade muito grande falar a um dos jornais de maior circulação no país ao lado de importantes entidades do ensino superior e da medicina brasileira, ainda mais defendendo ideias disruptivas. Entretanto, eu reforço meu compromisso com o país e com seu futuro. Não pode haver desenvolvimento se assumirmos que nossos alunos serão piores profissionais do que nós, professores!”, finaliza.

Leia a matéria na íntegra aqui.

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