Design sem nome - 1

Enade, Enamed e PND exigem mudança de comportamento


Especialista defende o uso estratégico, pelas IES, dos dados para antecipar fragilidades, revisar processos e aprimorar a aprendizagem


O pesquisador e especialista em gestão acadêmica, aprendizagem e avaliação no ensino superior Alexandre Nicolini afirmou, nesta segunda-feira, 20 de julho, que o Enade, o Enamed e a Prova Nacional Docente (PND) exigem uma mudança de comportamento das instituições de ensino superior (IES). “Para não fracassar nessas avaliações em 2026, as instituições precisam conhecer os próprios dados e saber utilizá-los para orientar sua estratégia acadêmica.”

Embora tenham regras e finalidades distintas, os três exames exigem a mesma capacidade institucional: interpretar resultados, reconhecer lacunas e transformar evidências em decisões acadêmicas. “O primeiro passo é organizar a instituição para revisar processos e agir preventivamente. Resultados insuficientes não terminam na prova: afetam a imagem dos cursos, reduzem a confiança das famílias, comprometem a capacidade de captação e ampliam a pressão sobre reitores, diretores de ensino e coordenadores”, afirma. Na avaliação do pesquisador, o Enade oferece um parâmetro para verificar o que o curso efetivamente consegue produzir em termos de aprendizagem. “Os dados do exame devem funcionar como um feedback para o aprimoramento do currículo e do processo formativo. Infelizmente, muitas IES ainda não perceberam que a prova é um valioso instrumento de referência: errou no Enade, vai errar na vida profissional! É simples assim”, enfatiza.

O especialista explica que o Enade foi historicamente fundamentado na Teoria Clássica dos Testes (TCT), que considera, entre outros aspectos, o grau de facilidade e o poder de discriminação de cada item. “O primeiro mostra a proporção de participantes que acertou a questão. O segundo indica quanto o item consegue diferenciar estudantes com níveis distintos de desempenho”, esclarece.

Segundo Nicolini, a mudança para os cursos avaliados pelo Enade em 2026 está na adoção do modelo de três parâmetros da Teoria de Resposta ao Item (TRI), que amplia a análise realizada pela TCT. “Além da dificuldade e da discriminação, a TRI estima a probabilidade de acerto ao acaso. Isso permite examinar a coerência do conjunto de respostas e atribuir maior consistência à leitura da proficiência do estudante”, explica.

Em relação ao Enamed, o pesquisador defende que as instituições acompanhem, desde o ingresso, as competências necessárias à formação médica. “A IES precisa conhecer o nível de proficiência de cada estudante. O raciocínio lógico sustenta o raciocínio clínico e as relações de causa e efeito; o raciocínio matemático é indispensável em atividades cotidianas, como o cálculo de dosagens; e a capacidade de interpretar e organizar informações permite compreender a história clínica e formular condutas adequadas”, destaca.

Os resultados do Enade das Licenciaturas 2025, cuja avaliação teórica está articulada à PND, também acendem um alerta sobre a formação docente. A edição avaliou 4.948 cursos e contou com 196.059 concluintes. Desse total, 113.246, o equivalente a 57,7%, foram classificados acima do nível básico de proficiência, enquanto 42,3% permaneceram no nível básico ou abaixo dele. Apenas 569 cursos, correspondentes a 11,5% do total, tiveram todos os concluintes acima do nível básico. “Quando mais de quatro em cada dez futuros professores permanecem nesse patamar, o alerta alcança a qualidade da educação básica nos próximos anos. Como vamos evoluir se não temos bons professores?”, questiona.

Em setembro e outubro, Nicolini ministrará, pela Universidade Corporativa Semesp, duas oficinas voltadas à melhoria do desempenho institucional no Enade, no Enamed e na PND. Os participantes aprenderão a interpretar resultados, identificar fragilidades e construir planos de ação, além de receberem um checklist para avaliar se a instituição está preparada para agir preventivamente.


Serviço:

OFICINA 1 DO PROGRAMA ENADE, ENAMED E PND PERFORMANCE 2026

Data: 1º e 3 de setembro

Horário: 14h às 17h

Tema: As novidades do Enade, Enamed e PND 2026

Transmissão: online, ao vivo, via plataforma Zoom

Público-alvo: reitores, pró-reitores, diretores, coordenadores de curso, procuradores institucionais, recenseadores institucionais, membros de NDEs ou de Núcleos Pedagógicos.

Inscrições: https://www.semesp.org.br/uc/curso/oficina-1-os-resultados-do-enade-revelam-as-fragilidades-da-aprendizagem-aprenda-como-identifica-las/

OFICINA 2 DO PROGRAMA ENADE, ENAMED E PND PERFORMANCE 2026

Data: 13 e 15 de outubro

Horário: 14h às 17h

Tema: “O Sistema de Inteligência Acadêmica para aprimorar o desempenho no Enade, Enamed e PND: aprenda como construí-lo!

Transmissão: online, ao vivo, via Plataforma Zoom.

Público-alvo: reitores, pró-reitores, diretores, coordenadores de curso, procuradores institucionais, recenseadores institucionais, membros de NDEs ou de Núcleos Pedagógicos. Inscrições: https://www.semesp.org.br/uc/curso/oficina-2-o-sistema-de-inteligencia-academica-para-aprimorar-o-desempenho-no-enade-aprenda-como-construi-lo/



Add a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *