Nesta terça-feira (dia 20), o consultor, pesquisador e especialista em gestão acadêmica, design curricular e avaliação em aprendizagem e por competências, Alexandre Nicolini, esteve na ANEC – Associação Nacional de Educação Católica do Brasil – para fazer uma análise do desempenho das IES católicas no exame Enamed durante a Reunião Ampliada da Câmara de Ensino Superior.
“O Inep nos surpreendeu quando tivemos, a partir de 2024, uma grande mudança tanto na lógica dos exames Enade, Enamed e PND, quanto nos objetivos e na metodologia. E vou mostrar como devemos proceder a partir de agora”, disse Nicolini.
Em seguida, Nicolini mostrou um quadro sobre o tamanho da ineficiência, no Brasil, dos exames de proficiência nos cursos de Medicina das IES privadas com fins lucrativos, sem fins lucrativos, as comunitárias/confessionais, as federais, estaduais, municipais e especiais, com o resultado dos alunos proficientes e não-proficientes nos exames, e a porcentagem dos reprovados. “Boa parte do mercado, e principalmente os que tiveram resultados muito ruins, e foram muitas instituições, procurou fazer a lógica do copo cheio, ou seja, ter mais alunos que foram proficientes do que não-proficientes. Mas essa lógica é típica de quem quer esconder os maus resultados”, enfatizou.
Segundo ele é preciso ver a lógica do copo vazio, dando exemplo. “Os resultados mostraram que nas IES privadas com fins lucrativos, um pouco mais do que 4 em cada 10 estudantes foram reprovados. E no outro extremo, as federais e as estaduais só reprovaram 1,3 ou 1,6 em cada 10 alunos”.
Nicolini alertou também dos prejuízos dos pais que pagaram mensalidades altas em um curso de Medicina e viram seus filhos não conseguir a proficiência. “Considerando o valor médio da mensalidade em R$ 10.500,00 num curso de 6 anos e a MP que visa proibir o exercício profissional dos não-proficientes, o valor que pode ter sido desperdiçado por família de médicos recém-formados não-proficientes é de R$ 9 bilhões, 280 milhões e170 mil reais. Ou seja, um em cada 3 estudantes foi declarado não-proficiente. E temos de entender as consequências disso”, enfatizou.
Nicolini comparou também a formação dos médicos antes e agora. “Todos nós temos experiências com doutores quando nós somos pacientes. E todos nós temos uma má experiência para contar. Uma experiência de desleixo, de precariedade na formação, de falta de atenção e daí por diante. Mas esses médicos que nos atendem foram formados em uma situação em que a formação médica era muito mais criteriosa no cômputo geral do que é hoje”.
O especialista ainda detalhou os resultados de alunos das IES católicas vinculadas à ANEC e concluiu que: “quando olhamos as IES que são filiadas à ANEC, nós tivemos 2.188 estudantes que prestaram exame no ano passado e 1.625 foram proficientes. Não-proficientes chegou a 563, o que deu um total de 25% de não-proficientes. É um total, se compararmos com as outras categorias, relativamente baixo. Praticamente empatou com as confessionais, como um todo, e considerando as IES mantidas por outras religiões. Então as confessionais têm um bom índice de aprovação que é semelhante ao que as IES católicas têm, e está relativamente próximo ao que as federais e as municipais tornaram como não-proficientes, ou seja, as IES católicas não estão tão distantes do ensino que está sendo feito nas IES públicas. Exceção das municipais que geralmente são autarquias e tiveram um desempenho muito ruim”.


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